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Entrevista

Professor Alexandre Maciel
article thumbnailDiretor da Vocal Lab, o professor Alexandre Maciel fala sobre as possibilidades e os desafios envolvidos no processamento de voz, tecnologia na qual é especializado. A trajetória da empresa, incubada do NECTAR, e seus projetos, como o Framework FIVE e o Avatar Vocálico, também têm lugar nessa entrevista. Dividido entre o meio acadêmico e o...
Estudos de caso do programa Primeiros Passos: Chalé do Matuto PDF Imprimir E-mail

Dois choques culturais simultâneos. Após passar 10 anos trabalhando com restaurantes na Europa, Michael Maior voltou para o Brasil, pronto para colocar em prática a experiência que adquiriu. Ao comprar um restaurante que já estava aberto há muitos anos, sentiu as dificuldades de reestruturar um estabelecimento, ao mesmo tempo em que tinha de mantê-lo funcionando. Para piorar a situação, encontrou um grupo de funcionários que se recusavam a mudar os seus hábitos e não valorizavam os conhecimentos que Michael queria dividir com eles. Uma equipe que não compartilhava de sua visão empresarial, então aguçada pelo contato com uma cultura diferente.

Há dez anos, Michael abria o seu primeiro restaurante, o Sabor Nordestino, em Olinda. “Comecei com muita vontade, mas sem experiência. Gosto de dizer que a minha formação é a vivência, fui fazendo e aprendendo”, conta. O estabelecimento ia bem, mas o ponto era alugado e a relação com o dono do imóvel não era das melhores. Tentou mudar o restaurante de endereço, mas não encontrou um local que o agradasse. Um convite de um amigo o levou então à Suíça, onde iniciou sua jornada européia, que duraria outros dez anos.

Lá, gerenciou um restaurante e se admirou com as oportunidades do Velho Continente. “Na cidade onde eu trabalhava, eram vários restaurantes de comida brasileira. A maioria comandada por estrangeiros, que se aproveitavam da imagem do país”, explica Michael. Da Suíça, foi para a Itália onde teve a experiência de estruturar a cozinha de um restaurante do mesmo dono. Suas andanças o levaram também à Espanha, mas Michael sempre soube o que quis: “Não fui para ficar, fui para ganhar experiência. Mantive o sonho de voltar e ter meu restaurante próprio no Brasil. O sonho do Sabor Nordestino, que tinha ficado pelo meio”.

Enquanto acalentava o desejo de retornar ao Brasil, Michael já fazia o seu primeiro contato com o Sebrae, através dos cursos de EAD (Educação a Distância). Em junho de 2010, desembarcava no Recife para dividir um restaurante em sociedade, no bairro de Boa Viagem. No mês seguinte, já começava a ser assistido pelo Programa Primeiros Passos. Mas alguns sócios não compartilhavam da sua visão, mostravam resistência às melhorias que ele queria implementar.

De início, pensou em montar um negócio do zero: uma pizzaria com serviço de entrega em domicílio. Mas o investimento demoraria pelo menos seis meses para começar a dar lucro. Acabou então adquirindo o Chalé do Matuto, no bairro de Afogados. Foi no novo endereço que Michael recebeu as visitas da consultoria do programa, realizada em parceria com o NECTAR. “Era tanta coisa que precisava mudar, que ele (o analista empresarial encarregado) praticamente me colocou contra a parede”, brinca.

A primeira recomendação foi a de reformar os banheiros, que se encontravam em péssimo estado de conservação, sem a limpeza adequada, com as paredes sujas e algumas peças quebradas. E foi justamente com a reestruturação física do espaço que o Chalé do Matuto começou a ganhar nova cara.  Aos poucos, o ambiente vai sendo reformado e o cardápio sendo repensado. A casa tem tradição de servir galeto, maminha e carne de sol, mas Michael que expandir esse leque de opções. Ele já nota a chegada de um novo público e acredita que conseguiu manter a clientela da administração anterior.

Os anos que passou no exterior foram proveitosos e fizeram o empresário tirar muitas lições administrativas. “Já não sabia muito. Chegando lá, descobri que não sabia nada. E na volta, foi outro choque”, relata. Michael diz tentar ser menos exigente, mas ainda assim se ressente da falta de atitude de alguns funcionários. Segundo ele, falta a compreensão de que pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença. Para solucionar o problema, teve de trocar parte da equipe e estabeleceu normas de conduta.

“Antes de chegar a ponto de dispensar alguém, a primeira tentativa é de lapidar a pessoa”, explica. Na hora de contratar substitutos, Michael dá preferência a quem está entrando no mercado, se possível que estejam procurando seu primeiro emprego. A intenção é aproveitar a fome de aprendizado dessas pessoas, moldando-as ao que considera um serviço de qualidade para o seu estabelecimento. Em paralelo à revolução realizada na área de recursos humanos, ele segue tocando as mudanças na administração do restaurante. O estoque passou a ser controlado e está sendo implementado um sistema informatizado, que substituirá as comandas preenchidas à mão.

De olho na concorrência, Michael costuma visitar outros estabelecimentos, buscando pegar o melhor de cada um deles e verificando o que pode ser melhorado no seu. Ele considera que muita gente ganha dinheiro no ramo, mas se acomoda e não se preocupa em melhorar cada vez mais o serviço prestado. Mostrando-se satisfeito com as orientações de Sebrae e NECTAR, julga que quase todas já foram colocadas em prática. “Como sou muito exigente, às vezes não noto a diferença. Mas os clientes têm comentado. Ainda há muito trabalho a ser feito. São apenas quatro meses tentando reconstruir um restaurante que era mal cuidado há uma década”, considera.

Se atingir a meta de servir de 300 a 320 refeições no almoço, pensa em adotar apenas o horário diurno no restaurante, abrindo à noite só quando alugasse o espaço para eventos. A justificativa é de que os encargos relacionados ao trabalho noturno são muito altos. Para tomar essa decisão, que considera um grande dilema, já tem separado o caixa em diurno e noturno, para medir a diferença de resultado entre os turnos. Michael pensa também em oferecer um serviço de buffet que vá até a casa do contratante. Mas tudo isso depois de atingir a meta estabelecida, o que ele acredita ser possível ainda em 2011.

Outra preocupação do empresário é atrair turistas para o seu estabelecimento. Ele cogita parcerias com cruzeiros marítimos para levar esses visitantes a provarem da culinária regional no Chalé do Matuto. O ambiente já está sendo preparado para isso e contará com referências de cordel e xilogravura. “Meu objetivo é de que as pessoas pensem em cozinha regional e lembrem logo do meu restaurante”, conclui Michael. São as novas facetas de um sonho bem brasileiro, que até cruzou o oceano para respirar novos ares, mas voltou ao país para se tornar realidade.



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