Entrevista
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| Estudos de caso do programa Primeiros Passos: Expresso Informática |
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Concluído o curso técnico de Informática, Ronaldo trabalhou por quatro anos na assistência técnica de uma loja. Função que considerava bastante estressante. “Todo dia era a mesma coisa. Não aguentava mais aquela monotonia”, relembra. A sua intenção sempre foi acumular experiência para depois abrir a sua própria loja no mesmo ramo. Para complementar a renda e ganhar rodagem na profissão, ele também atendia a alguns clientes próprios, fora do seu expediente. Ia até eles para realizar os reparos e, quando necessário, chegava a levar os computadores para consertar em sua casa. Quando julgou ser o momento correto, teve de tomar coragem para largar seu emprego estável e começar uma nova trajetória do zero. Surgia assim, em setembro de 2006, a Expresso Informática, que, de início, consistia apenas de uma sala vazia. “Para não dizer que não tinha nada, tinha uma linha de telefone já. Mas nem o aparelho eu tinha!”, conta Ronaldo. A clientela era pouca, formada por alguns conhecidos, que o procuravam quando tinham problemas com os seus computadores. Alguns meses depois, na mesma galeria onde já estava instalado, ficou disponível uma sala de maior exposição, que ficava de frente para a rua. Ronaldo rumou para lá, na expectativa de atrair novos clientes. Até conseguiu, mas a empresa continuou sendo vista apenas como uma assistência técnica, quando seu objetivo sempre foi passar a imagem de uma loja, que vendesse computadores e acessórios. Um balcão de madeira improvisado e produtos pendurados nas paredes não ajudaram em muita coisa e a Expresso continuou vendendo apenas as peças necessárias para os reparos das máquinas que eram levadas à assistência. Foi na virada de 2008 para 2009, que as coisas começaram a tomar outra dimensão para a empresa. “Na minha visão, dei um passo muito grande. Aluguei um espaço maior, quando nem sabia se eu teria condições de pagar pelos custos”, lembra Ronaldo. A loja se mantém até hoje no bairro da Madalena, em Recife. Para arcar com as novas obrigações, Ronaldo teve de correr para aumentar o volume de serviços. Valia qualquer negócio, até mesmo pedir para alguém ficar em seu lugar enquanto saía para atender clientes fora da loja. A falta de tempo fez com que o empresário largasse a faculdade de gestão de empresas que estava cursando para aprender a tocar o seu empreendimento. Teve de pegar também vários empréstimos pra colocar as contas em dia. “Várias vezes pensei em fechar as portas da empresa e voltar à vida de funcionário”, admite Ronaldo. Com o aumento das dificuldades, se intensificaram também os conselhos de amigos e clientes: era a hora de procurar o Sebrae para obter orientações de como gerenciar melhor a empresa. Ronaldo foi apresentado então ao programa Primeiros Passos, “No curso, senti que não sabia de nada ou quase nada”, conta Ronaldo. Era complicado se afastar da Expresso em horário comercial para freqüentar as aulas, mas sabendo dos benefícios que aquilo poderia lhe trazer a longo prazo, ele até desligava o seu telefone, para não ser interrompido enquanto adquiria novos conhecimentos. Em julho de 2010, começava a segunda etapa do programa, uma consultoria realizada em parceria entre o NECTAR e o Sebrae, na qual um analista visitou o estabelecimento para tecer um diagnóstico a respeito de sua situação. “Foram me passadas várias tarefas de casa. Era complicado, porque eu tinha mais atribuições, além de todo o trabalho de comandar a loja, mas aos poucos estou cumprindo tudo que me foi orientado”, explica Ronaldo. A principal dificuldade dele era controlar o fluxo de caixa da empresa. “A gente vai tirando dinheiro do caixa aos pouquinhos e no final fica sem saber onde ele foi parar. Hoje se tem controle total de tudo que entra e tudo que sai, contratamos uma pessoa pra cuidar dessa parte financeira”, diz Ronaldo, que também teve de fazer um controle mais cuidadoso sobre o seu estoque. Com as coisas entrando nos eixos, sua ambição voltava a se manifestar, dessa vez no sonho de abrir uma filial. E ela veio muito antes do que se esperava. E, segundo o próprio Ronaldo, em um momento pouco propício para este investimento. Foi oferecido a ele um bom ponto na Avenida Caxangá, uma das mais movimentadas vias públicas do Recife. O empresário consultou um banco para fazer uma simulação de empréstimo e decidiu ousar, comprando o espaço em um impulso. Seu erro foi não se cercar de todas as garantias antes de se lançar ao novo desafio. Voltou ao banco e descobriu que aquilo que havia sido simulado não poderia sair do papel. “Faltou chão. Agora eu vou quebrar”, pensou. E foi aí que a consultoria prestada se mostrou essencial para que esse aperto fosse superado. As melhorias implantadas na matriz conseguiram manter a loja em crescimento enquanto a filial se estabelecia. “As recomendações que recebi abriram os meus horizontes. Antes da ajuda do NECTAR e do Sebrae, eu não sabia o que era um almoxarifado, não sabia cuidar de um estoque”, diz Ronaldo, que pretende manter suas reações com a agência, participando do Empretec, seminário desenvolvido para incentivar comportamentos empreendedores. Ainda com o programa Primeiros Passos, o empresário aprendeu sobre a importância de contratar outros funcionários, distribuindo tarefas. Recebeu também a orientação de fazer pesquisas de mercado. Essas pesquisas, combinadas à vocação natural de Ronaldo, já o fazem pensar em abrir outras duas filiais. Uma na Rua da Concórdia, no centro do Recife, para onde muita gente se desloca quando interessada em consumir produtos de Informática. Outra em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, para atrair os clientes que saem do interior do estado para a capital em busca desse tipo de oferta. Enquanto elas não saem do papel, a parte interna da matriz vai ganhando uma reforma física, se adequando à necessidade de um estoque maior e de um ambiente mais organizado para a administração. Já a primeira (e por enquanto única) filial, teve as paredes pintadas, os móveis trocados e em breve ganhará uma vitrine. “Agora sim, a Expresso é vista como uma loja, tanto na matriz, quanto na filial”, se orgulha o empresário. Mas se acomodar não é uma característica de Ronaldo, que continua sonhando alto. E já pensa em fortalecer a marca, comprando um cota de patrocínio de um programa de TV local. Clique aqui e saiba mais sobre o programa Primeiros Passos. |











Diante das dificuldades encontradas por quem está dando início a um empreendimento, é natural que o novo empresário se encha de cautela ao executar os seus primeiros movimentos no mercado. Mas o ato de montar um negócio próprio exige também uma boa dose de coragem. No caso de Ronaldo Soares, essa coragem se vestiu de ambição. E não ficou restrita ao seu “grito de independência”, que foi apenas o primeiro de uma série de impulsos que o levaram a desenvolver a sua empresa. Entre um friozinho na barriga e outro, claro.