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Entrevista

Professor Alexandre Maciel
article thumbnailDiretor da Vocal Lab, o professor Alexandre Maciel fala sobre as possibilidades e os desafios envolvidos no processamento de voz, tecnologia na qual é especializado. A trajetória da empresa, incubada do NECTAR, e seus projetos, como o Framework FIVE e o Avatar Vocálico, também têm lugar nessa entrevista. Dividido entre o meio acadêmico e o...
Estudos de caso do programa Primeiros Passos: Curinga PDF Imprimir E-mail

Abrir uma pequena empresa exige alguns sacrifícios. Um deles é a necessidade que o empreendedor tem em se desdobrar. Para o negócio vingar, é claro que ajuda que no comando esteja um bom profissional da área, mas é também essencial que este saiba se adaptar a outras funções e aprender a acumulá-las. Afinal, uma empresa que está começando raramente pode se dar ao luxo de pagar alguém que fique responsável apenas por gerenciá-la, dando liberdade para que seu dono exerça plenamente os seus talentos. Sendo assim, é  emblemático o surgimento de uma agência de publicidade batizada como Curinga, uma referência à carta de baralho que em certos jogos serve como substituta de qualquer outra.

Daniel Coutelo, Eduardo Cunha e Gustavo Carvalho já haviam trabalhado juntos em outra agência, onde todos faziam parte do departamento de criação. Daniel era o diretor do setor e optou por sair da empresa, onde trabalhava há quatro anos. Ele partiu em busca de um desafio maior, que o trouxesse realização profissional e financeira. “Não podia mais crescer onde estava, ficaria sempre preso naquela situação de conforto. Decidi então arriscar para ver até onde poderia ir”, esclarece.

Se já havia o interesse em criar uma agência própria, o estopim da iniciativa veio graças a uma grande coincidência. “Em um curto espaço de tempo, sem que um soubesse do contato do outro, eu e Eduardo telefonamos para Gustavo com a mesma ideia de montar uma agência. Por coincidência, até o nome que queríamos dar a ela era igual: Curinga”, recorda Daniel.  Diante de fato tão curioso, não tinha como ser diferente: os três se reuniram e começavam a assumir ali o papel de pequenos empresários.

Gustavo estava prestes a se formar em Publicidade, curso no qual Eduardo também havia sido diplomado. Apesar da vasta experiência nesta mesma área, Daniel era formado em Administração, pois trabalhava durante o dia e só poderia cursar uma faculdade à noite. Na época, existia em Recife só um curso de Publicidade, o da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que não tinha aulas noturnas. “Fui fazer Administração porque julgo ser importante fazer uma faculdade, mas o meu negócio sempre foi trabalhar com criação publicitária”, conta.

Os três já tinham alguns clientes freelancer e precisavam personalizar e encorpar essas contas. Para já ir consolidando a marca no mercado, começaram a assinar seus trabalhos juntos como Curinga antes mesmo de abrir formalmente a empresa, o que aconteceu em setembro de 2009. De início, trabalhavam basicamente à noite, aos fins de semana e durante o horário de almoço, já que mantinham outros empregos na área. “Nós brincávamos que o quarto de Gustavo era o nosso escritório, pois era onde conseguíamos nos reunir”, disse Daniel, lembrando que a maior parte do contato entre eles era feita através de programas de troca de mensagens instantâneas na Internet.

Alguns desses clientes aumentaram a demanda e o trabalho começou a ficar pesado, comprometendo tanto o que faziam nas empresas onde atuavam, quanto a realização dos próprios serviços da Curinga. Era o momento de cada um se dedicar exclusivamente à empresa, o que aconteceu quando eles se instalaram em um espaço emprestado, de tamanho bastante acanhado. Já naquela época, as responsabilidades entre os três estavam divididas, com cada um tomando conta de um setor da empresa.

“Na prática, todo mundo faz de tudo, todos são curingas. Mas era importante que cada um assumisse o controle de um setor, para que pudéssemos nos reportar uns aos outros caso houvesse algum problema”, explica Daniel, que cuida da parte administrativa e de criação. Eduardo lida com a área de produção e mídia e Gustavo ficou responsável por atendimento e planejamento. A divisão se deu levando em consideração a personalidade e a experiência prévia de cada um. Mas como todos são oriundos do setor de criação, tiveram de aprender a realizar outras funções para poder tocar a empresa.

A primeira dificuldade dos novos empresários foi lidar com a responsabilidade tributária de se manter um empreendimento, bem diferente do que estavam acostumados quando trabalhavam como autônomos. Outra complicação estava na forma de lidar com a clientela, uma postura que foram aprimorando no dia a dia. Perguntado sobre que lição poderia passar a quem pretende abrir um empreendimento, Daniel diz que dá medo, mas vale a pena. “Trabalha-se muito. Durmo, acordo e vivo a empresa. Não é como quando você é funcionário, que você não leva os problemas pra casa no fim do expediente”, avisa, destacando também a parte boa da iniciativa: “Você é o responsável pelo seu sucesso ou fracasso, não depende mais dos outros. Tudo depende do seu empenho”, acredita.

Mas para atingir o sucesso, primeiro é preciso saber sobreviver às crises, que são inevitáveis. Momentos como o que gostam de chamar de “dezembro negro”, mês de 2009 no qual tiveram péssimo faturamento. Foi aí que os empresários sentiram a necessidade de procurar o Sebrae. “Estávamos perdidos, precisando de uma luz. Se a Curinga continuasse assim, não poderia continuar em atividade”, confessa Daniel. Ele já havia feito alguns cursos de EAD (Educação a Distância) da agência, mas foi então apresentado ao programa Primeiros Passos.

Após Daniel passar por um curso ministrado pelo Sebrae, em maio de 2010, a Curinga passou a receber visitas de um analista empresarial, na segunda etapa do programa, a consultoria realizada em parceria com o NECTAR. Entre as orientações recebidas pelos publicitários, a principal era a necessidade urgente de um plano financeiro, que monitorasse o caixa da empresa. Antes, tudo era feito de forma muito limitada, com os três sócios dividindo os lucros em 4 partes: uma para cada um deles e outra para reforçar a conta da própria Curinga. A contabilidade ganhou planilhas mais elaboradas e hoje a empresa conta inclusive com um capital de giro.

Aprenderam também a economizar e buscar recursos para investir. A agência passou a pagar cursos e participações em seminários para os seus proprietários. Durante a consultoria, passaram por outra fase considerada por eles como “tenebrosa”, quando alugaram a sala onde trabalham, mas passaram alguns meses trabalhando em casa enquanto a reforma do espaço se arrastava. Em outubro do ano passado, finalmente se instalaram no local, dando o passo final que faltava para a estabilidade da Curinga.

Daniel acredita que a agência seguirá bem até o final de 2011, adiantando que para o ano seguinte, a expectativa é de dobrar o faturamento. “Todos nossos planos são de expansão. Não vamos parar por aqui”, afirma. Quando começaram, a agência tinha apenas um cliente fixo. Hoje são quase uma dezena deles, fora os trabalhos pontuais que realizam. O público-alvo são as empresas que precisam de um trabalho de comunicação e divulgação da marca, mas que ainda não se arriscam, porque acham que isso custaria caro demais.

No momento, ampliam seus serviços para uma área que consideram de grande crescimento: o de mídias sociais, para o qual pretendem contratar uma pessoa. Outra aquisição desejada é a de mais um profissional de criação. Só então, a Curinga pensa em contratar pessoas voltadas para o campo administrativo. Mas Daniel espera que isso aconteça o mais rápido possível. ”Gostaria de voltar a me dedicar mais à área de criação, onde fui criado profissionalmente, desde os 18 anos de idade”, acrescenta. Curingas são mesmo versáteis, mas isso não impede que tenham talentos bem específicos.




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