Entrevista
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| Estudos de caso do programa Primeiros Passos: Lúcia Oliveira |
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A decepção se acentua quando o empreendedor em questão é alguém como Lúcia, que se preparou bastante para exercer a profissão de esteticista, na qual atua há dez anos. Além de fazer vários cursos do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), ela participou de outros tantos congressos e seminários, procurando se aprimorar em serviços como depilação, limpeza de pele e massagem corporal. As amigas que lhe serviam de modelos durante os testes práticos dos cursos tornaram-se suas primeiras clientes, quando ela ainda trabalhava como autônoma, em sua casa, no bairro de Boa Viagem, em Recife. Sua clientela foi aumentando, na medida em que quem provava de seu trabalho a indicava para as amigas, mas Lúcia não se acomodava e continuava buscando por outros cursos do Senac. “Esses cursos servem para duas coisas muito importantes: adquirir conhecimento e conhecer pessoas”, ensina. E foi justamente enquanto ela aprendia um pouco mais sobre estética para mãos e pés que alguém procurou o Senac, à procura de quem soubesse realizar uma série de tratamentos de beleza. A única da turma qualificada para executar todo o leque de serviços requisitados era Lúcia, que viu todo seu esforço dar frutos. Ela então foi trabalhar em salões de beleza. No primeiro, ficou por cinco anos e meio; no segundo, por mais um ano e meio. Além de seguir se especializando na função para o qual foi contratada, se interessava em entender como funcionava cada aspecto de um estabelecimento do ramo. “Sempre gostei do ambiente de salão e procurava aprender coisas de outros setores. As outras funcionárias me perguntavam por que eu fazia coisas que não eram minha obrigação, como colocar as toalhas para lavar ou servir café para as clientes”, relembra. De mudança para o bairro da Madalena, Lúcia voltou a atender clientes em casa, mas já com a ideia de procurar um local para montar seu próprio salão. Os maiores desafios para colocar o projeto em prática eram conseguir capital de giro e achar um bom ponto comercial e mão-de-obra qualificada. Após muita pesquisa, alugou uma sala, onde abriu o salão Lúcia Oliveira, em julho de 2009. A busca por funcionários se mostrou muito mais complicada. Procurou no Senac, telefonou para conhecidos e colocou anúncio em jornal, mas se surpreendia com a falta de instrução de algumas pessoas que apareciam no salão para pedir uma chance. “A pessoa chegava aqui sem saber lavar um cabelo, fazer uma escova”, reclama Lúcia, garantindo que o problema é crônico e se estende por todos os cursos de formação para a área ministrados no Recife. Em julho de 2010, a empresária procurou o Sebrae e começou a ser atendida pelo programa Primeiros Passos, participando de uma turma exclusiva, direcionada para a orientação a donos de salões de beleza. Como as aulas aconteciam apenas uma vez por semana, Lúcia não teve problemas em conciliá-las com o trabalho. Dois meses depois, receberia a primeira visita da consultoria realizada pelo NECTAR, na qual um analista teceu um diagnóstico da situação em que a empresa se encontrava. Uma das primeiras recomendações foi para que Lúcia reservasse um espaço para servir apenas como estoque, pois este ficava muito exposto e qualquer pessoa tinha acesso aos produtos. Isso foi solucionado em novembro, quando a esteticista alugou a sala ao lado para ampliar o salão. Lá também foi construída uma copa, pois as funcionárias tinham de almoçar no escritório da proprietária. Outra orientação era para que ela exigisse o uso do fardamento de suas empregadas, como parte de um atendimento diferenciado às clientes. Também o contato ao telefone com quem queria marcar uma hora para ser atendida teria de ser melhorado. Uma sugestão em particular facilitou bastante a vida da empresária. Com a contratação de uma recepcionista, Lúcia ficou menos sobrecarregada e agora tem mais tranquilidade para seguir exercendo suas funções de esteticista e cuidar da administração do salão. A aquisição de um computador também foi vital para que o controle do caixa fosse sendo feito no decorrer do expediente. “Antes eu tinha de fazer a contabilidade à noite, em casa. Acabava esquecendo alguma coisa”, explica. Para se ter uma ideia da desorganização, Lúcia emprestava dinheiro para as funcionárias sem recibo, não tendo qualquer prova para pedir a quitação do débito. Lidar com a mão-de-obra ainda continua sendo a principal dificuldade para a empresária. O ambiente no ramo é muito competitivo e as dificuldades de relacionamento entre as funcionárias são constantes. Outra queixa de Lúcia é que, como cabeleireiras e manicures trazem as próprias clientes, muitas vezes se acham no direito de cobrar o preço que querem ou mesmo de não respeitar o fardamento. Quanto às falhas na formação profissional, a empresária gostaria de pagar cursos para elas, mas, além da falta de capital, teme que elas deixem o salão sem antes aplicarem por lá o que aprenderem. Para o futuro, Lúcia ainda pretende fazer algumas reformas no estabelecimento, com direito à instalação de câmeras de segurança. Novos serviços devem ser oferecidos, como aplicação de unhas postiças de acrílico, hidratação corporal e maquiagem definitiva. “Salão tem de procurar sempre algo novo para implementar e manter a clientela”, justifica. Quer manter sua relação com o Sebrae, fazendo cursos e incentivando suas funcionárias a fazerem o mesmo.”Todo mundo devia receber uma ajuda dessas”, acredita. Para quem pensa em abrir um salão, Lúcia dá um alerta: “É muito difícil se você não for cabeleireira, porque você fica sem credibilidade com os clientes e também com a mão-de-obra, que evita trabalhar com você, quando não sabe se o salão vai vingar”. Mas considera-se satisfeita com a realização de seu sonho. O faturamento do salão vai tendo um acréscimo, mês a mês, conforme a clientela vai se expandindo. Mas a esteticista sabe que para o empreendimento seguir crescendo, precisaria empregar mais pessoal. “O tamanho já está bom. Do jeito que está, já me dá muita dor de cabeça”, revela. Clique aqui e saiba mais sobre o programa Primeiros Passos. |











Uma das principais dificuldades relatadas por quem está começando uma pequena empresa é a falta de mão-de-obra qualificada no mercado. Ao contrário da falta de financiamento ou de espaço para instalar o empreendimento, essa é uma questão que pouco depende da garra do empresário para buscar alternativas e do crescimento profissional que ele pode conquistar com a orientação devida. Com outras tantas preocupações na cabeça, pessoas como Lúcia Oliveira, dona de um pequeno salão de cabeleireiro, não têm tempo ou condições para formar pessoas que já deveriam chegar a elas prontas para exercer determinado ofício.