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Professor Alexandre Maciel
article thumbnailDiretor da Vocal Lab, o professor Alexandre Maciel fala sobre as possibilidades e os desafios envolvidos no processamento de voz, tecnologia na qual é especializado. A trajetória da empresa, incubada do NECTAR, e seus projetos, como o Framework FIVE e o Avatar Vocálico, também têm lugar nessa entrevista. Dividido entre o meio acadêmico e o...
NECTAR organiza exposição de postais do acervo de Liêdo Maranhão PDF Imprimir E-mail

Liêdo Maranhão e sua coleção de cartões-postaisCom patrocínio dos Correios e do Governo Federal, o NECTAR organiza a exposição POSTAES: A Correspondência Afetiva na Coleção Liêdo Maranhão, de 11 de março a 24 de abril, no Centro Cultural Correios. A mostra conta com curadoria de Bartira Ferraz e Gustavo Maia. Os visitantes terão acesso a cartões-postais da coleção pessoal do artista e pesquisador Liêdo Maranhão, que há quatro décadas se dedica à preservação da memória cultural de Pernambuco e do Nordeste. Se hoje nos acostumamos a postais de paisagens e pontos turísticos, os itens expostos mostram que no passado (quando a grafia correta ainda era “postaes”, como no título da exposição) já foram populares os cartões com fotografias feitas em estúdio, posteriormente coloridas de forma artesanal.

Disse certa vez o professor Raymond Cantel, diretor do Centro de Pesquisa Luso-Brasileiro da Universidade de Sorbonne, em Paris, que Liêdo é “a maior autoridade das ruas do Recife”. Reputação conquistada por anos em que vagou por elas, especialmente as do bairro de São José, conversando com as pessoas e garimpando manifestações culturais esquecidas pelo tempo ou consideradas por outros estudiosos como sendo de pouco valor.

Hoje, mantém em sua própria casa o Memorial da Cultura Popular, onde estão arquivados documentos, livros, depoimentos, folhetos, esculturas e, claro, os cartões-postais da mostra em questão. Seu objetivo é levar essa cultura de volta ao povo, facilitando o acesso ao seu acervo por meio de exposições.

A entrada é franca e a exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 9 às 18h, e aos sábados e domingos do meio-dia às 18h. O Centro Cultural Correios fica na Av. Marquês de Olinda, 262, no Recife Antigo. Inaugurado em 2009, é mais um espaço criado e mantido pelos Correios para a realização de eventos culturais, com iniciativas semelhantes funcionando no Rio de Janeiro, em Salvador, em Fortaleza e em Juiz de Fora.

A exposição


A coleção exposta mostra o lado romântico e burguês existente no acervo do pesquisador e colecionador Liêdo Maranhão. A mostra é o resultado do trabalho de pesquisa de um grupo que apostou no projeto de divulgação de coleções esquecidas e desconhecidas do público em geral. Trata-se de uma coleção construída ao longo de cinquenta anos. Estarão em exposição cartões datados de 1901 a 1950. Foram selecionados 253 postais do acervo pessoal do colecionador.Cartão-postal do acervo pessoal de Liêdo Maranhão

O cartão-postal nasce na Áustria, durante a segunda metade do século XIX, como um novo meio de correspondência. A invenção do professor de Economia Política Emmanuel Hermann vendeu 10 milhões de postais no Império Austro-Húngaro, em apenas um ano de existência. Os correios brasileiros aderiram à moda e faziam circular em papel especial, e até fotográfico, as mais variadas formas de cartões-postais. A coleção de Liêdo é um grande registro dessa correspondência, que tomou conta do mundo europeu no final do século XIX e teve no Brasil um público fiel. 

Os postais da mostra foram colecionados por temas variados, a princípio saídos da correspondência familiar do próprio Liêdo, que expandiria sua coleção, a partir de garimpagem nos sebos, mercados públicos, acervos privados e antiquários, principalmente do Recife, mas também de cidades da Europa. A seleção apresenta conteúdos sentimentais, humorísticos, religiosos e sensuais, dispostos em cartelas organizadas pelo colecionador, em totens e em molduras de acrílico, que permitem a leitura da estampas e dos textos escritos no verso dos cartões.

A beleza das imagens usadas e os textos da correspondência sentimental são o que mais chama a atenção nessa coleção. Como conceito, os curadores Bartira Ferraz e Gustavo Maia exploraram o romantismo e a delicadeza perdida de uma forma de se comunicar que hoje se encontra praticamente em desuso. São imagens fotográficas de flores, artistas do teatro, crianças, moças e pares enamorados do mundo europeu. A mostra revela também o lado técnico e industrial da produção dos cartões-postais da época.

Foram selecionados cartões muito delicados, com recursos de movimento, relevo e recorte em papel. Os suportes para a confecção dos cartões também apresentam variedade no tipo de papel, tamanho e dobraduras. Até elementos plásticos, tecidos, bordados e purpurinas podem ser vistos como apliques.

Postaes: A Correspondência Afetiva na Coleção Liêdo Maranhão tem ainda o cuidado de apresentar uma boa pesquisa musical do período abordado e gravação de entrevistas feitas com o colecionador, compondo o ambiente da mostra. A equipe de pesquisadores revela ainda uma montagem intimista e romântica, que tem tudo para emocionar o público que comparecer para conferi-la no Centro Cultural Correios a partir do dia 11 de março.


Uma vida dedicada à cultura popular nordestina

Escritor, escultor, fotógrafo, cineasta e colecionador. Um pesquisador de fama internacional, que reuniu sozinho um acervo sobre a cultura popular nordestina que nenhum museu do mundo pode se gabar em ter. É complicado definir Liêdo Maranhão em tão poucas palavras, resumindo uma vida e uma carreira longevas, inteiramente dedicadas à preservação da memória de toda uma região.

Nascido em 3 de julho de 1925, no bairro de São José, em Recife, Liêdo tem sua história intimamente ligada à area onde foi criado e que freqüenta até hoje. No final da década de 40, enquanto se formava em Odontologia pela Faculdade de Medicina, Odontologia e Farmácia do Recife, fundava, junto a amigos e a seu irmão Joviniano, a escola de samba Estudantes de São José, uma das mais tradicionais do Carnaval da cidade.
No início dos anos 60, se afastou um pouco de Pernambuco para realizar o sonho de conhecer Paris, cuja influência era grande no Recife naquela época. Com pouco dinheiro no bolso, partiu de navio para a Europa, onde perambulou por vários países. Entre um bico e outro, exerceu sua arte, tocando pandeiro em uma orquestra e se apresentando em teatros. De lá voltou casado com a espanhola Bernarda Ruiz, fixando residência em Olinda, onde mora até hoje.

Em seu retorno, dedicou-se às esculturas em madeira, tendo sido premiado no Salão de Arte de Pernambuco. Foi membro também do Atelier + 10, onde trabalhou com alguns dos melhores artistas plásticos da época, como João Câmara e Vicente do Rego Monteiro. A partir de 1967, começou a viajar pelo interior de Pernambuco em busca de folhetos de cordel. Mal sabia ele que, com esse material, estava dando início à enorme coleção que se tornaria o seu maior legado. Seu envolvimento com os cordelistas foi tanto, que anos depois viria a produzir com João José, da TV Universitária, e o cineasta Fernando Spencer o documentário “O Folheto”, retratando a trajetória dessa manifestação cultural durante os anos 70.

Outra das paixões de Liêdo é o Mercado de São José.  Durante as décadas de 60 e 70, freqüentava diariamente o espaço, para conversar com os que lá trabalhavam, bem como com camelôs, protistutas e cantadores que se faziam presentes na praça Dom Vital, que fica em frente ao mercado. O cotidiano dessas pessoas foi documentado no livro O Mercado, Sua Praça e a Cultura Popular do Nordeste, publicado em 1977, contando com mais de 100 fotos tiradas por Liêdo.

Durante sua trajetória, o pesquisador colaborou com a Revista Equipe, editada por servidores da Sudene e com o Jornal Universitário da UFPE, escrevendo sobre poesia popular. No mesmo ano de 1977, voltaria a ser reconhecido por seu trabalho como escultor, levando o primeiro prêmio no XXX Salão Oficial de Arte do Museu do Estado de Pernambuco.

Décadas se passaram e Liêdo continuou colhendo depoimentos populares nas ruas do Recife e ampliando seu acervo itens sobre a cultura popular nordestina. Garimpou por documentos esquecidos pelo tempo, buscou por publicações antigas sobre medicina popular e culinária nos sebos da cidade e juntou objetos artísticos dos mais diversos. Esculturas de ferros retiradas de prédios demolidos do Recife, artesanato em ferro ou madeira feito por artistas populares, xilogravuras, panfletos de campanhas políticas, livros raros, tudo isso faz parte de sua coleção, que já bateu a marca dos 10 mil itens. Entre eles, os cartões-postais que serão expostos nesse evento produzido pelo NECTAR.

Bibliografia de Liêdo Maranhão


- Classificação Popular da Literatura de Cordel - Editora Vozes, 1976
- O Mercado, sua Praça e a Cultura Popular do Nordeste - Prefeitura Municipal do Recife, 1997
- O povo, o Sexo e a Miséria ou o Homem é Sacana - Editora Guararapes, 1980
- Folheto Popular Sua Capa e seus Ilustradores - Editora Massangana, 1981
- Cozinha de Pobre - Edições Bagaço, 1992
- Conselhos, Comidas e Remédios para Levantar as Forças do Homem - Edições Bagaço, 1992
- Que Só - Sem Editora, 1993
- Marketing dos Camelôs do Recife – 1996
- Marketing dos Camelôs de Remédio ou o Mundo da Camelotagem – 2004
- A Fala do Povão: o Recife Cagado e Cuspido - Edição do autor, 2004
- Rolando Papo de Sexo, Memórias de um Sacanólogo - Livro Rápido, 2010



Liêdo e o NECTAR

Logo do projeto Casa da Memória PopularNão é a primeira vez que o NECTAR participa de um projeto voltado para a valorização da obra do pesquisador. Em 2008, o núcleo realizou a exposição “Casa da Memória Popular”, em parceria com a Liber – Tecnologia do Conhecimento e contando com o apoio da Universidade Federal de Pernambuco. O objetivo da mostra era dividir com o público os resultados do projeto “Memorial da Cultura Popular, por Liêdo Maranhão”, aprovado na 3ª edição do programa Petrobrás Cultural (2005/2006).

A intenção do projeto era gerar ações pelas quais o público tivesse acesso ao patrimônio memorial da cultura nordestina reunido por Liêdo Maranhão durante quatro décadas. O acervo passou por ações de conservação, recuperação e tratamento, além da organização de seus registros. Todo o material coletado se encontra na Casa da Memória Popular, um espaço idealizado por Liêdo, que está localizado provisoriamente na casa do próprio intelectual, no Bairro Novo, em Olinda.

O projeto da Casa surgira em 2003, quando estudantes de Biblioteconomia se sensibilizaram com uma matéria da revista Continente Cultural intitulada “Liêdo, o escriba dos excluídos”. Além de apresentar um perfil do intelectual, a peça relatava as condições precárias nas quais o seu acervo era guardado e denunciava o desinteresse das autoridades locais em contar com esse material, contrastando com as propostas de universidades americanas e da Sorbonne de Paris para adquiri-lo. O projeto dos estudantes para organizá-lo e preservá-lo foi o pontapé inicial de todas essas ações, que culminaram na mostra supracitada.

A exposição aconteceu numa estrutura especialmente desenhada e montada no Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (CAC/UFPE). Foi inaugurada em 10 de junho de 2008, na presença de autoridades, estudantes e interessados pela cultura popular nordestina. A mostra, com curadoria de Marcos Galindo, do Departamento de Ciência da Informação da UFPE, esteve aberta para visitação pública até 30 de junho do mesmo ano.

Outro aspecto que aproxima o NECTAR de Liêdo Maranhão é a relação da instituição com o bairro e o Mercado de São José, cuja história se confunde com a do próprio pesquisador, nascido na vizinhança e frequentador do espaço, onde costuma interagir com os que por lá circulam. No local, o Núcleo administra o Espaço de Cultura Popular, instituído para resgatar a tradição cultural dos mercados públicos do Recife. Também no bairro, o NECTAR foi parceiro do SEBRAE no Projeto Negócio a Negócio, que buscava ajudar os pequenos empreendedores a  melhorarem sua produtividade e formalizarem seus estabelecimentos.

É com a experiência na organização de bem sucedidos eventos culturais e dividindo com o homenageado o compromisso de valorizar e resgatar a cultura popular pernambucana e nordestina que o NECTAR se apresenta para organizar a exposição da coleção dos cartões-postais de Liêdo Maranhão.



Serviço


POSTAES: A Correspondência Afetiva na Coleção Liêdo Maranhão

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Quando: De 11 de março a 24 de abril
Horário: De terça a sexta-feira das 9 às 18h, sábados e domingos do meio-dia às 18h.
Onde: Centro Cultural Correios (sala 5, 3º andar)
Av. Marquês de Olinda, 262, Recife Antigo

Patrocínio: Correios e Governo Federal
Realização: Centro Cultural Correios
Produção: NECTAR
Apoio Cultural: Casa da Memória Popular